MASS | why do I want to know about your son? because he killed mine.

[Mass, Fran Kranz, E.U.A., 2021]

Primeira realização de Fran Kranz, também autor do argumento, Mass conta a história de dois casais que enfrentam a tragédia da morte de um filho e aceitam encontrar-se, seis anos depois dos acontecimentos, para esgrimir os motivos que terão levado o filho de Linda e Richard (Ann Dowd e Reed Birney) a assassinar o filho de Gail e Jay (Martha Plimpton e Jason Isaacs), antes de se suicidar. 

Na cave de uma igreja, numa sala parcamente mobilada, desenrola-se uma conversa tensa entre quatro personagens à procura de um apaziguamento impossível. Regressando ao fenómeno dos tiroteios nas escolas e reconhecendo o quadro complexo de problemas sociais e psicológicos em que estes sucedem, o debate privilegia o ângulo psicológico em detrimento do político, secundarizando a questão da licença de porte de armas nos Estados Unidos e sublinhando o papel da saúde mental no comportamento violento. Assim, a narrativa, observa o problema do isolamento potenciado pela Internet, seus meandros obscuros e seus efeitos para os adolescentes psicologicamente vulneráveis, ao mesmo tempo abordando as questões da responsabilidade parental e da experiência avassaladora da morte de um filho. O seu grande mérito é o de falar sobre o luto, num contexto emocional e íntimo, condensando numa única conversa a gama extensa de sentimentos e emoções que caracterizam o processo, que neste caso, como em tantos outros, começa por ancorar-se numa dialéctica de culpa e castigo, que vai dissipando à medida que o exame de responsabilidades ou a procura de absolvição se revelam inúteis.  

Na primeira meia hora de filme, é fácil sentir que já vimos isto em algum lado. De facto, Mass é estruturalmente muito semelhante a Carnage, de Polanski (filme que adapta a peça de Yasmina Reza, “The God of Carnage”), recuperando a textura do teatro filmado, a acção em tempo praticamente real, o cenário minimalista, a ausência de banda-sonora ou os movimentos mínimos da câmara. Mas vai mais longe na complexidade do tema, no exercício de detalhe na reconstituição do trauma familiar e na exposição das emoções exacerbadas e contraditórias das personagens, exigindo mais dos quatro excelentes actores e também do espectador. É uma montanha-russa emocional conduzida pelo quarteto de veteranos, do qual sobressaem as interpretações de Dowd (que temos acompanhado na série The Handmaid’s Tale), a mãe do atirador, em sofrimento aberto, e de Plimpton, num esforço incrível de contenção, sempre à beira de uma explosão qualquer. Exceptuando os 15 minutos finais, que tentam impor uma justiça poética algo escusada, Mass é uma estreia auspiciosa para Fran Kranz que, embora psicologicamente difícil, vale bem os seus 110 minutos de duração. Se há peças que se convertem em excelentes filmes, aqui poderia aplicar-se o contrário.

participação social e saúde psicológica.

Representando um momento sem precedentes na história global, a pandemia COVID-19 é uma ameaça à saúde pública com impacto muito preocupante, não apenas na saúde física, mas na saúde psicológica. Desde o seu início, foi evidente que a maioria das suas consequências e das restrições determinadas para a combater, constituem, em si mesmas, factores de risco para um extenso leque de quadros psicológicos de gravidade moderada a elevada (por exemplo, stresse, exaustão emocional, ansiedade, depressão, perturbações de sono, pânico, etc.), para todas as faixas etárias da população e, em particular, para grupos com vulnerabilidades prévias (por exemplo, cidadãos sénior, pessoas com doença crónica, população institucionalizada ou desfavorecida ou com problemas prévios de saúde psicológica). Dois anos passados, confirmam-se as previsões mais negras sobre o impacto psicológico da pandemia, sendo seguro admitir efeitos significativos, extensos e prolongados na saúde psicológica de milhões de pessoas, com uma gravidade dependente do estado global de saúde prévio, estatuto socio-económico e recursos cognitivos, emocionais e sociais. E se os meios de mitigação do seu impacto na saúde física permanecem insuficientes, tal é duplamente verdade no que à saúde psicológica diz respeito.

A imposição de diferentes graus de isolamento físico tem sido uma constante ao longo dos últimos dois anos (confinamentos, quarentenas, períodos de isolamento profiláctico), traduzindo-se também em diferentes graus de efectivo isolamento social. Este é uma construção multidimensional que pode ser definida como a quantidade e/ou qualidade inadequada de interacções com outras pessoas, incluindo as que ocorrem a nível individual, de grupo ou na comunidade. Alguns dos estudos feitos enfocam o isolamento externo, referente à frequência de contacto ou interacções, enquanto outros consideram o isolamento social percebido, que se refere à percepção de solidão, confiança e satisfação com as relações. Esta distinção é importante porque alguém pode ter a experiência subjectiva de estar isolado mesmo tendo contacto frequente com os outros e, inversamente, não se sentir isolado, mesmo quando esse contacto é limitado.

As vivências subjectivas do isolamento adquiriram complexidade em contexto pandémico, uma situação em que muitos mantiveram contacto com familiares, amigos e colegas com recurso à tecnologia. A frequência desse contacto foi até, em muitas situações, intensificada. Mas paradoxalmente, acompanhada por sentimentos de profundo isolamento. Paralelamente, as mudanças concretas no ambiente social, como o fecho das escolas, de espaços públicos ou encerramento temporário ou definitivo de espaços de interacção e participação social e cívica (por exemplo, associações culturais, desportivas e recreativas) tiveram também impacto directo na percepção de isolamento e vieram alterar a forma como as pessoas se movimentam, trabalham e se relacionam.

Reconhecidamente, estar socialmente conectado não é apenas importante para o bem-estar psicológico e emocional, mas impacta positivamente o bem-estar físico e a longevidade. Viver sozinho ou perceber-se como socialmente isolado são factores de risco para doenças cardiovasculares e cognitivas, para a diminuição da função imunológica (essencial para enfrentar a própria COVID-19) e uma das principais causas de mortalidade. O efeito no risco de morte é, na verdade, comparável ao causado pelo tabagismo e superior ao associado à obesidade. Os estudos a este propósito são, sobretudo, focados nos cidadãos seniores, contudo, a pandemia trouxe a necessidade de alargar a compreensão do impacto do isolamento social aos jovens e crianças. As descobertas apontam para mais níveis elevados de solidão (isolamento social percebido) entre os jovens, comparativamente aos adultos mais velhos, muito embora a extensão das suas redes sociais, físicas e virtuais, seja maior. Tal significa também que, neste momento, os adultos mais velhos não são a única faixa etária vulnerável ao impacto físico e psicológico do isolamento social percebido e que este se tornou num problema para a população mais jovem. 

Sublinhe-se, por isso, a urgência de reabilitar o ambiente social, apoiando o associativismo jovem e outras possibilidades de participação social e cívica que proporcionem a toda a população (nomeadamente aos jovens, mas também aos adultos mais velhos) a oportunidade de envolvimento comunitário, partilha e expressão de ideias, desenvolvimento pessoal e aprendizagem ao longo da vida. Estes, além de contribuírem para a diminuição do sentimento de isolamento social percebido, articulam-se ainda com o auto-conhecimento, o desenvolvimento de competências socio-emocionais, o processo de elaboração de referenciais interpretativos e de agência pessoal e a promoção da coesão social e de uma cidadania activa, responsável e solidária. Todos estes aspectos, sendo promotores da saúde física e psicológica e do bem-estar, têm um papel decisivo na recuperação psicológica dos efeitos da pandemia e reforçam a função da participação social enquanto uma das mais importantes dimensões de uma vida saudável.

publicado na Elo Associativo, n.º 64, Janeiro de 2022.

RIFKIN’S FESTIVAL | is this everything that there is or is there more?

[Rifkin’s Festival, Woody Allen, 2020, EUA/ Espanha/ Itália]

Com 85 anos de vida, nada a provar e pouca disponibilidade para arrumar as botas, Woody Allen regressa à Europa que teimosamente o resgata do desprezo a que foi votado do outro lado do mar. Chegado às paisagens idílicas de San Sebastian, escreve e realiza o 48º filme, postal citadino de encomenda, ilustrado pelas cores quentes da lente de Vittorio Storaro. Wallace Shawn é aqui responsável pela habitual recriação da sua persona. Poderia até ser uma mulher – como Jasmine, a sua Blanche Dubois contemporânea – mas, desta vez, a identificação é quase directa, não apenas pela interpretação de Shawn, mas pelo número de monomanias comuns à personagem e realizador. Shawn interpreta Mort Rifkin, um ex-professor de cinema que acompanha a mulher, Sue (Gina Gershon), ao festival de San Sebastian, suspeitando do seu interesse romântico no jovem realizador (Louis Garrell) que ela promove. A trama, sem grandes surpresas, tem mesmo reminiscências do filme anterior, A Rainy Day in New York, cujos protagonistas poderiam ser filhos de Mort e Sue. É o mote para uma primeira observação: O conjunto de neuroses que distingue o cinema de Woody Allen será explanado, independentemente do enredo proposto, pelo alter-ego de serviço, quase sempre um judeu intelectual, hipocondríaco e periclitante, agnóstico convicto em busca do sentido da vida, angustiado e inconformado com a ideia da morte. Em contraponto, a figura feminina de temperamento forte e emocionalmente distante, é o ideal que a todo o momento lhe escapa. Como condimentos, a crítica social ao snobismo dos meios artísticos, o pessimismo, uma cinefilia devota e uma aura de melancolia, a espaços rompida por uma ironia fina e trágico-cómica. 

Se muitos destes ingredientes estão presentes em Rifkin’s Festival, dificilmente se misturam para produzir um resultado coeso. O filme é sobretudo centrado no mundo onírico de Rifkin, em que memórias e desejos são convertidos em cenas dos seus filmes de eleição. Assim o filme se passeia, a preto-e-branco, pelas obras de Truffaut, Bergman ou Fellini (homenageando o cinema clássico), regressando ao ambiente do festival de San Sebastian (satirizando o novo cinema), e uma vez mais ao passado que é simultaneamente futuro: na recriação do jogo de xadrez na praia, a mais icónica cena de O Sétimo Selo (1963), a morte personificada por Christoph Waltz oferece conselhos para a vida. 

Há, no texto, uma indolência inegável do ponto de vista da coerência interna: um guião desconectado e personagens sem espessura, apesar da presença, desperdiçada, de Gershon e Garrell. Mais do que recontar a história de amor, atribulação e desencontro que tantas vezes escreveu e dirigiu, Woody Allen parece ter aproveitado a ocasião e o financiamento (que lhe vão escasseando) para voltar a filmar, falar de si mesmo e falar de cinema (serão das suas actividades favoritas), talvez com uma certa negligência, talvez um resquício da amargura das polémicas recentes, talvez pouca inspiração, mas ainda grande vontade. Apesar das limitações, o filme conserva um valor mínimo garantido presente numa marca autoral já gravada na história do cinema, com todas as suas particularidades, bastando dois minutos de ecrã para que percebamos de que(m) se trata: na selecção da banda-sonora, na narração, na história, nos trejeitos dos actores, na fotografia, na fonte e fundo preto dos créditos iniciais. De quantos cineastas poderemos dizer o mesmo? Consideremos, por isso, estar perante um produto de intervalo entre grandes filmes, um dispositivo frequente na sua longa carreira. Confiando nesse grande filme que virá, alegramo-nos, por ora, com o monólogo de um velho cinéfilo judeu, escaparate dos seus tormentos existenciais e declaração de presença – como se nos dissesse: Apesar de tudo, estou ainda aqui.

Publicado no jornal “A Voz do Operário” a 10-10-2021

saúde psicológica: o futuro é urgente.

Do paradoxo: a saúde psicológica é ainda uma dimensão descurada no quadro global da saúde. Por motivos muito diversos, persiste um estigma que alimenta a vergonha e a culpa, contribui para o subdiagnóstico, dificulta a procura de ajuda e justifica a negligência e subfinanciamento ao nível dos sistemas de saúde e recursos comunitários. Um pouco por todo o mundo, os custos individuais, sociais e económicos deste cenário tornaram-se cada vez mais evidentes nos últimos anos, permitindo perceber que os problemas de saúde psicológica afectam milhões de pessoas e representam uma das cargas mais significativas para a saúde pública, com custos económicos até 4.2% do PIB (por exemplo, a depressão atinge cerca de 300 milhões e é já considerada a principal causa mundial de incapacidade). Ao mesmo tempo, a investigação na área da ciência psicológica tem clarificado, por um lado, o impacto dos factores sociais e económicos na saúde psicológica (por exemplo, a pobreza, a discriminação, a exclusão social, o desemprego e insegurança laboral) e, por outro, a importância da sua manutenção, não apenas do ponto de vista individual, mas do desenvolvimento das comunidades e dos países, significando uma melhor saúde física, melhor desempenho escolar e académico, maior produtividade, maior participação social e menores índices de multimorbilidade e de mortalidade.

A última década foi marcada por uma lenta mudança de atitude face à saúde psicológica, mas ao mesmo tempo, por um aumento e diversificação dos problemas. Para tal contribuiu, de forma decisiva, a massificação da utilização da Internet, cujo número de utilizadores cresceu de 30% para 65% entre 2010 e 2020. Os meios digitais são hoje parte do quotidiano de grande parte da população mundial, deles decorrendo novas problemáticas, associadas ao seu uso excessivo ou desadequado, mas também ao próprio ciberespaço e respectivas modalidades de interacção. Por outro lado, viabilizam a mediatização de histórias pessoais (nomeadamente, de figuras públicas) que muito têm contribuído para colocar o tema na ordem do dia, e representam novas plataformas de acesso a literacia, trabalho, educação e formação e mesmo cuidados de saúde (a telemedicina, apoio psicológico online, grupos terapêuticos ou intervenções autoguiadas). A última década deixou claro que a tecnologia, inicialmente diabolizada, apresenta enormes vantagens que podem ser potenciadas por um melhor conhecimento e gestão dos seus riscos.

Paralelamente, desafios societais específicos concorreram para aumentar a visibilidade da saúde psicológica nos media e na opinião pública. Falamos, por exemplo, de crises socioeconómicas diversas, do aumento dos movimentos migratórios e da população refugiada, das alterações climáticas ou do envelhecimento populacional, fenómenos com impacto psicológico profundo e consequências a múltiplos níveis. Mais recentemente, no contexto do aumento dos problemas de saúde psicológica em todo o mundo resultante da pandemia COVID-19, a questão da saúde psicológica ganhou uma projecção inaudita. Em 2021, é reconhecidamente aceite que a saúde psicológica é indissociável das grandes questões sociais, ambientais, políticas e organizacionais e essencial para o bem-estar e qualidade de vida. Estas evidências não parecem, no entanto, espelhar-se numa diminuição efectiva do estigma ou no desenho de políticas públicas. Em demasiados contextos, o foco predominante dos cuidados continua a ser a medicação e a redução dos sintomas, o acesso a cuidados de saúde adequados permanece insuficiente e as pessoas com problemas de saúde psicológica são ainda olhadas como diferentes, o que pode implicar formas diversas de marginalização social e barreiras ao seu envolvimento nas comunidades.

Portugal é o segundo país europeu com maior prevalência de problemas de saúde psicológica (cerca de 23% da população), mas também um dos países da OCDE onde a taxa de necessidades não satisfeitas de cuidados a este nível é mais elevada. Existem apenas 250 psicólogos/as nos Cuidados de Saúde Primários, o que corresponde a um representa um rácio de 2,5 psicólogos/as para cada 100 000 utentes. Há, por isso, um caminho longo a percorrer: Conversar abertamente, aumentar a literacia em saúde psicológica e, sobretudo, repensar as políticas, serviços e práticas que afectam negativamente as pessoas com problemas de saúde psicológica, assegurando a sua não discriminação e igualdade de direitos em todas as situações (em particular, no acesso aos recursos necessários para prevenir e combater estes problemas) e globalmente promover a saúde, para todos os cidadãos.  

A procura de ajuda é fundamental para melhorar ou manter a saúde psicológica; não faz apenas sentido em situações de crise ou desespero, mas deve ser buscada tão cedo quanto possível. Para mais informações sobre saúde psicológica e recursos disponíveis, consulte o Portal EuSinto.Me

Publicado no P3 a 22-09-2021

adicionar psicólogo/a ≠ adicionar amigo/a.

Conforme abordado em artigos anteriores, as redes sociais há muito superaram o seu papel original de plataformas de socialização e constituem hoje um poderoso aliado numa dimensão profissional: Utilizadas da forma certa, facilitam não apenas a divulgação dos serviços prestados, mas a demonstração de experiência, a promoção e manutenção de uma rede de contactos profissionais e a promoção contínua de uma identidade e marca profissional. São ainda importantes veículos de difusão de informações fidedignas e potencialmente úteis que, por exemplo, possam aumentar o conhecimento da comunidade sobre saúde psicológica e sobre a relevância social dos psicólogos e psicólogas. No entanto, podendo ser propositadamente utilizadas como ferramentas de marketing e literacia, as redes sociais comunicam informações diversas sobre o nosso perfil pessoal e profissional, das quais nem sempre temos total consciência. Como tal, apresentam algumas armadilhas no âmbito da gestão de carreira, em especial no que concerne às necessárias fronteiras entre as esferas pessoal e profissional.

Não raras vezes, a sua utilização massiva e a sua linguagem informal dificultam o seu uso criterioso e o estabelecimento de limites entre o que podem ser partilhas favoráveis à manutenção de uma imagem profissional positiva e outras que, de forma legítima ou enviesada, podem impactar negativamente a percepção de credibilidade e competência do/a profissional em causa. Alguns exemplos de comportamentos de risco neste âmbito incluem adicionar clientes à lista de “amigos” ou emitir opiniões pessoais desconsiderando a responsabilidade social e deontológica dos profissionais da Psicologia. A este propósito, recordemos que a prática profissional não se reduz ao acto psicológico ou à acção directa em contexto profissional, mas compreende ainda a utilização ou aplicação de conhecimentos, termos ou grelhas de leitura da Psicologia noutros contextos, pelo que todos/as os psicólogos e psicólogas têm a obrigação ética de ser responsáveis nas suas declarações públicas, independentemente das mesmas se referirem, ou não, a aspectos da ciência psicológica.

Algumas regras básicas podem ajudar a minimizar estes riscos. No que diz respeito às conexões, é útil ter o cuidado de assegurar que conhecemos a pessoa antes de a adicionar (resistindo à tentação de aumentar indiscriminadamente o número de contactos) e de não aceitar pedidos de conexão de clientes, já que tal consubstanciaria uma relação múltipla, interditada pelo Código Deontológico. Podemos também utilizar as definições de privacidade por forma a restringir o acesso a determinados dados e conteúdos (por exemplo, álbuns de fotos pessoais) a contactos específicos (amigos próximos vs. conhecidos) ou ainda distinguir contas pessoais e profissionais, mesmo implicando criar contas distintas na mesma rede. No que respeita às publicações, é importante verificar cuidadosamente os conteúdos, assegurando que são expressos numa linguagem que diminui a probabilidade de ilações ou interpretações equivocadas. Outra das regras de ouro passa por nunca divulgar comentários ou fotos sobre acções profissionais que envolvam clientes específicos (mesmo ocultando a sua identidade). Quanto às mensagens privadas, a interacção com clientes ou potenciais clientes em redes não profissionais (exclui-se aqui o LinkedIn) deve ser desencorajada. Por fim, recordemos que os comentários e reacções noutros perfis também informam sobre nós, pelo que é importante lembrar que o nosso mural é apenas um dos locais onde a nossa presença online pode ser alvo de atenção. Desta forma, aos comentários noutros locais devem aplicar-se as regras das publicações próprias. Em todos os contextos – as redes sociais não são excepção – a imagem e a palavra são os nossos cartões de visita.

Publicado no blog Psicarreiras a 16-09-2021

uma pessoa / vários percursos.

A tendência para desenvolver várias actividades profissionais em simultâneo parece estar a tornar-se cada vez mais frequente nas últimas décadas, substituindo o tradicional “emprego para a vida”. Esta realidade, que começa por emergir da instabilidade do mercado e baixos salários auferidos em muitos sectores, relaciona-se também com a crescente valorização de uma dimensão de realização pessoal no trabalho, configurando uma oportunidade para expandir interesses, diversificar competências, valorizar soft skills frequentemente subaproveitadas ou, simplesmente, manter duas possibilidades profissionais em aberto. É esta a origem do conceito de slash career, cunhado por Marci Alboher no livro One Person, Multiple Careers: A New Model for Work/life Success (2007), que se refere a uma modalidade profissional em que o indivíduo desempenha duas (ou mais) actividades em áreas distintas e de forma consistente (embora uma delas possa não ser formalmente remunerada), podendo referenciá-las (por exemplo, no curriculum vitae) com recurso a uma barra. Estes indivíduos desenvolvem um perfil profissional diferenciado que lhes permite actuar em vários contextos, bem como gerir compromissos pessoais de forma mais adequada ou apenas não abdicar de uma segunda ocupação que (também) os apaixona.

Claro que uma dupla jornada de trabalho pode ser exaustiva e comprometer o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. É por isso essencial que a segunda ocupação possua características de flexibilidade e adaptabilidade e seja sobretudo motivadora e gratificante. Dito de outra forma, deve buscar-se o equilíbrio entre a necessidade de desenvolver duas actividades distintas e os benefícios retirados desse cenário. Muitas vezes, o verdadeiro equilíbrio entre vida profissional e pessoal está mais ligado ao desgaste psicológico do que com o tempo gasto a trabalhar, e nesse sentido, uma segunda actividade que promova a realização pessoal e o bem-estar emocional pode contribuir para a resiliência face à rotina, uma melhor gestão do stress e uma maior sensação de harmonia. Quando assim é, segunda actividade alimenta a primeira e vice-versa, promovendo o desenvolvimento profissional e também pessoal, em dimensões tão diversas como o auto-conhecimento, a auto-estima, a curiosidade e o pensamento crítico, a auto-eficácia, a versatilidade, a auto-confiança e um sentido de propósito. Permite ainda enriquecer uma marca profissional que é também atraente para potenciais empregadores: os detentores de slash careers apresentam uma identidade profissional distintiva, são criativos e adaptáveis, tomam a iniciativa, são ágeis na resolução de problemas e capazes de pensar “fora da caixa”.

Enquanto ciência que estuda o comportamento humano, a Psicologia é terreno fértil para as mais diversas actividades e ocupações. As slash careers são muito comuns entre psicólogos e psicólogas que escolhem aplicar a ciência psicológica a outras paixões, às quais emprestam o seu olhar a áreas tão diversas como o jornalismo, a tecnologia, a música, a rádio, a política, o cinema, as redes sociais ou a fotografia, fazendo da sua segunda ocupação um nutriente essencial das suas competências nucleares. Sendo esta uma vantagem da dupla ocupação para qualquer profissional, os benefícios para os psicólogos e psicólogas integram a própria experiência da Psicologia –  desenvolvendo e valorizando o seu sentido crítico, dilatando o seu conhecimento sobre os Outros e o que os rodeia e estimulando o tão discutido desenvolvimento pessoal contínuo, elementar no percurso de qualquer psicólogo/a. É impossível ser psicólogo/a no trabalho… e não ser psicólogo/a na vida, por isso aqui fica o desafio: Quantos slash careers conheces? Quase apostamos que também és um/a.

Publicado no blog Psicarreiras a 12-08-2021

para um novo ano lectivo (pouco) normal.

A COVID-19 tem representado um enorme desafio para todos, sendo a comunidade estudantil globalmente identificada como um dos grupos em maior risco do ponto de vista da saúde psicológica.

Esta fase da vida, marcada por uma maior necessidade de contacto social com pares, associa-se a um processo de formação de identidade, pelo que o isolamento imposto pelo confinamento e fecho das escolas se traduziu num sentimento de vida suspensa. As instituições de ensino, espaços de promoção de aprendizagem, desenvolvimento, relação e cidadania, viram o seu papel coarctado em muitas dimensões e tiveram de instituir mudanças súbitas com amplos efeitos em todos os elementos da comunidade educativa (pais, alunos, professores e funcionários). Naturalmente, os efeitos de ano e meio de pandemia são vastos e não se limitam a questões desenvolvimentais, relacionais, de aprendizagem e desempenho. Incluem sentimentos de medo, solidão e angústia que podem evoluir para estados mais graves de sofrimento psicológico, ansiedade, depressão, sono e outros problemas de saúde psicológica que sobreviverão à COVID-19. Em particular, a transição para o ensino à distância gerou stress e cansaço, para além de um aumento muito significativo do tempo online. Todos estes problemas têm efeitos na motivação e desempenho, podendo comprometer o percurso académico ou levar ao abandono.

Os estudantes do ensino superior parecem ter sido particularmente afectados. A transição para o ensino superior é sempre difícil, pautada por grandes exigências e tarefas desenvolvimentais específicas (a saída de casa dos pais, a mudança de cidade, a formação de novos vínculos, etc.) associadas a níveis elevados de incerteza face ao percurso académico, vida social e futuro. Nos últimos anos, a prevalência de problemas de saúde psicológica em estudantes universitários portugueses tem vindo a crescer. Cerca de 17% apresenta sintomatologia depressiva e problemas relacionados com baixa auto-estima, alterações de humor, questões relacionais e dificuldades académicas (métodos de estudo, ansiedade aos exames, etc.). A estes, a pandemia impôs desafios acrescidos, do ponto de vista social (distanciamento das redes de suporte, diminuição da possibilidade de socialização) e académico (adaptação a novos meios e metodologias).

Este quadro transformou, por completo, a experiência académica. Um inquérito realizado pelas Associações e Federações Académicas mostrou que cerca de 55% dos estudantes do ensino superior enfrentou ou enfrenta problemas de saúde psicológica relacionados com a pandemia, com consequências negativas no desempenho (38%) e necessidade de medicação (28%). Um dado preocupante prende-se com a baixa percentagem (apenas 17%) que procurou apoio psicológico, sendo que a maioria não conhece as soluções disponíveis ou não tem recursos económicos para lhes aceder. Este cenário, aliado à perda de rendimentos das famílias, pode traduzir-se no aumento dos números do abandono, na agudização das desigualdades de acesso ao ensino superior e no aumento da prevalência de problemas de saúde psicológica nesta população – que, consequentemente, aumentam a probabilidade de os manter ou desenvolver na vida adulta. O profundo impacto da pandemia na população estudantil volta a sublinhar a urgência de reforçar as respostas em cuidados de saúde psicológica, quer no SNS, quer nas instituições de ensino.

Persistindo a incerteza sobre a evolução da situação, é imprescindível preparar o próximo ano lectivo dotando as instituições de ensino de mecanismos e estratégias para enfrentar os efeitos da pandemia, recuperar aprendizagens e garantir o acompanhamento e apoio psicológico aos estudantes, nomeadamente através do reforço da presença de psicólogos nos gabinetes de apoio e serviços de psicologia. O papel dos psicólogos é essencial na acomodação das metodologias que, expectavelmente, ser irão manter. Entendendo-se a necessidade de as flexibilizar para possibilitar a adaptação a possíveis situações de crise, é preciso considerar que as plataformas digitais não substituem a interacção estudantes-professores. Os estudos portugueses têm ainda mostrado a importância do apoio de pares na promoção da integração e apoio psico-emocional, e como tal, o ensino à distância deve ser conjugado com um regime presencial como garantia do sucesso das aprendizagens e do desenvolvimento individual e social saudável. Os modelos mistos serão os que permitirão assegurar esta adaptabilidade, mas apresentam desafios que os psicológicos podem ajudar a enfrentar, como a necessidade de desenvolver competências sócio-emocionais (flexibilidade, tolerância ao stress, competência social, au- to-eficácia ou capacidade de regulação) e competências digitais específicas. Estas funcionarão como factores de protecção do impacto de resultados negativos e de promoção do bem-estar psicológico. As intervenções de promoção da saúde psicológica dirigidas a estudantes podem também ajustadas para professores e não docentes, contribuindo para o desenvolvimento saudável e integral e o bem-estar das comunidades educativas. Em suma, a intervenção dos psicólogos tem resultados positivos e custo-efectivos documentados e pode ser implementada a níveis diversos (promocional, preventivo ou remediativo), com vista à promoção de um ambiente facilitador da aprendizagem, da promoção de capacidades e competências e do desenvolvimento relações saudáveis, num contexto novo e que veio para ficar. O seu contributo é tão necessário quanto indispensável.

Publicado no jornal “A Voz do Operário” a 3-08-2021

sobre o nome maria.

@José Frade

Três Marias, três mulheres, três escritoras, juntaram-se em Maio de 71 e resolveram escrever um livro que desse voz às mulheres deste país, libertando-as da condição subserviente e de silêncio a que a decência e costumes condenavam. Depois de três dias nas prateleiras, o conteúdo “insanavelmente pornográfico e atentatório da moral pública”, corajosamente editado pela Maria-Natália, é recolhido e destruído. As autoras são levadas a tribunal. Enquanto isso, três exemplares chegam clandestinamente a Paris, às mãos de Maria-Simone, Maria-Marguerite e Maria-Christiane, dando origem a uma onda de protestos que percorre a Europa e os Estados Unidos. É a primeira causa feminista com expressão internacional. Poucos dias depois do derrube da ditadura, as três Marias são finalmente absolvidas – Era “o fim do escândalo”.

A história dessa audácia é contada no percurso construído pela Maria-Rita e pela Maria-Joana na exposição, “Mulheres e Resistência – Novas Cartas Portuguesas e Sobre o nome Maria Outras Lutas”, patente no Museu do Aljube Resistência e Liberdade. Abrimos o livro para encontrar a carta de Maria à sua patroa, desculpando-se do cansaço e da fraca saúde, resultado das agressões de um marido diferente regressado da guerra, do trabalho sem folgas ou tempo para lamúrias. A de António para a menina Maria, a servir em Lisboa, rogando-lhe que fosse sua madrinha de guerra e lhe aliviasse a solidão. Ou a de Maria-sem-nome, abandonada no chão, inchando e sangrando, apesar de lhe cozer as batatas, lhe tratar da roupa, lhe parir os seis filhos que ele lhe fez. São histórias de pobreza, de sujeição e sacrifício.

O momento da absolvição não lhes devolveu a justiça. Uma curiosa entrevista, gravada apenas dias após o veredicto, mostra-nos um entrevistador a aventurar duas ou três novas acusações. A de que o livro não teria propriamente “a linguagem das coisas simples, que chega às pessoas”. A de que o livro seria até “um bocado chato”. Maria-Velho responde-lhe com o desinteresse em tornar as coisas simples e a vontade de tornar-nos capazes. Já Maria-Isabel aponta a estrutura social vigente como a principal culpada pela suposta inacessibilidade do texto. Maria-Teresa é mais directa: “És o quarto homem que me diz que o livro é chato e não o conseguiu ler até ao fim (…) nenhuma mulher diz isso, antes pelo contrário. Todas as mulheres o têm entendido e têm lido até, digamos, avidamente”.

Foi essa inquietação, e a de muitas outras mulheres que nunca baixaram os braços desde o cair da longa noite do fascismo, que seguiu levantando das sombras as histórias das Marias das cartas, lhes deu identidade e corpo e lhes somou a voz de outras vozes com elas. A exposição revela estas batalhas, lembrando que por elas prossegue o caminho da resistência, pela afirmação da igualdade, da justiça e da liberdade, na casa, na família, no trabalho, na comunidade, na política. Até que todas as vozes possam ser ouvidas, com a clareza a que têm direito.

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A exposição temporária Mulheres e Resistência – Novas Cartas Portuguesas e outras lutas, com curadoria de Rita Rato e Joana Alves, pode ser visitada no Museu do Aljube Resistência e Liberdade até 31 de Dezembro de 2021

Publicado no jornal “A Voz do Operário” a 28-06-2021

alta fidelidade.

Encontra um trabalho de que gostes e nunca mais terás de trabalhar um dia na vida”. Já todos ouvimos a frase atribuída a Confúcio e arriscamos dizer que concordamos com ela. No máximo, poderemos assumir que é extremamente raro encontrar um/a psicólogo/a que não seja apaixonado/a pela ciência que escolheu, contudo, e infelizmente, é facto que muitos colegas acabam por abraçar áreas e contextos profissionais que não correspondem exactamente às suas características, valores, competências, aspirações e escolhas.

Recordando que para ser Psicólogo/a, é preciso tornar-se pessoa, deixamos hoje mais uma dica de um filme inspirador, para quem sonha com um determinado contexto de trabalho, procura um novo começo, pretende experimentar uma realidade profissional diferente ou simplesmente reavaliar os seus objectivos de vida e de carreira. Trata-se de Alta Fidelidade (Stephen Frears, 2000), uma comédia dramática que nos traz John Cusack no papel de Rob Gordon, gerente de uma loja de discos, que apesar dos seus 30 e muitos anos, parece não ter saído da adolescência. Quando a vida atinge um impasse, Rob mergulha inadvertidamente num estado de reflexão e auto-descoberta, para o qual, sem que se apercebesse, possuía já algumas competências importantes. Rob não tem dúvidas sobre a sua grande paixão: a música. Rob faz listas. Listas de tudo, desde os seus cinco livros favoritos, às cinco canções que gostaria de ver tocadas no seu funeral, passando pelas suas cinco relações falhadas ou os seus cinco empregos de sonho. Este exercício continuamente coloca a sua vida em perspectiva, permitindo-lhe explorar o seu auto e hétero conceito, avaliar sucessos e fracassos, identificar a sua rede de suporte, reconhecer boas estratégias e tácticas menos produtivas, aproximando-o um pouco mais de si mesmo. Quebrando a quarta parede, Rob conversa com quem vê o filme e transforma-nos em seus confidentes numa jornada de auto-conhecimento que levará à importante conclusão de que alta-fidelidade, atributo dos aparelhos que minimiza ruídos e distorções permitindo a reprodução do som com a maior fidelidade possível, é também uma ferramenta pessoal fundamental para encontrar o rumo certo.

Os desafios que o mercado de trabalho impõe à profissão, aliados a uma visão subsidiária da Psicologia e a um certo desconhecimento que persiste sobre os vastíssimos contributos da ciência psicológica, acabam muitas vezes por ditar ou moldar os percursos de carreira dos/as Psicólogos/as, dificultando que possamos trabalhar e intervir em áreas e contextos de eleição. Sabemos disto. Mas não devemos perder de vista que, com todas as nossas particularidades, os/as Psicólogos/as são a sua ferramenta de trabalho – e por isso, abdicar de um sonho também é renunciar à nossa melhor versão.

A nossa melhor versão é como a cassete com todas as canções certas gravada por Rob à namorada, uma compilação que deve dizer o melhor de nós e transportar o que de melhor temos para oferecer. A nossa melhor versão implica um percurso para nos desvendarmos e desenvolvermos, um itinerário que não se faz apenas de formação e experiência profissional, mas também de curiosidade, de relação, de silêncio, de desenvolvimento pessoal e de experiência de vida. A nossa melhor versão implica conhecer quem somos, para poder chegar ao lugar onde possamos dar o nosso melhor contributo – inevitavelmente, é também o lugar onde somos mais necessários. Chegar à nossa melhor versão, como à cassete ideal, implica tenacidade e teimosia, por maiores as dificuldades e reveses. Pode levar uma vida – mas tanto se ganha pelo caminho. Por isso, importa sempre continuar a batalhar por esse lugar ao sol onde que se chega com um pouquinho de sorte, algum planeamento, muita abertura ao mundo e alta-fidelidade a nós mesmos.

*ublicado no blog Psicarreiras a 24-06-2021

ciberassédio sexual.

O ciberespaço continua a expandir os contextos de interacção, criando novos cenários para fenómenos psicológicos e comportamentais conhecidos ou reconfigurando a sua natureza. Nos últimos meses, o aumento dos riscos de cibervitimização, decorrentes do incremento da utilização da Internet, tornou ainda mais claro que a intervenção na violência online exige uma abordagem integrativa das especificidades do mundo virtual, que reconheça a necessidade de aprofundamento dos modelos psicológicos tradicionais para abarcar uma verdadeira compreensão do cibercomportamento. À semelhança do cyberbullying, também o ciberassédio sexual não atende às definições-padrão de assédio sexual, apresentando singularidades que se traduzem em alterações no perfil de vítimas e agressores e no alargamento da frequência da sua ocorrência. As mulheres deixam de representar a maioria esmagadora das vítimas (embora se mantenham, as diferenças de género diminuem), que passam a incluir mais homens e pessoas cada vez mais jovens. O fenómeno deixa também de ocorrer no âmbito de relações desiguais de poder para ocorrer em contextos de aparente paridade (ou, em alguns casos, o desequilíbrio passa a estar relacionado com questões de competência digital). Aos tipos de assédio sexual descritos na literatura (assédio sexual de género, atenção sexual indesejada e coersão sexual), juntam-se ainda comportamentos cyberspecific – como o cyberstalking. Este distingue-se do comportamento real de perseguição pela possibilidade, oferecida pelos meios digitais, de acção não apenas reiterada, mas programada, automática e disseminada, ao mesmo tempo o chamado efeito da desinibição online, aliado ao anonimato e à ocultação da localização do agressor, amplia este e outros tipos de violência. Considerando que a Internet e a tecnologia vieram para ficar, o papel da Psicologia é fundamental, não apenas na intervenção junto de vítimas e agressores, mas na condução de investigação que aprofunde o estudo do fenómeno (expandindo a definição de assédio sexual para incluir a sua dimensão online e aclarando o seu impacto na saúde psicológica) e possa traduzi-lo em medidas de promoção da literacia em saúde digital e de apoio ao desenvolvimento de legislação adequada e a políticas de prevenção e segurança.

Publicado na PSIS21 em Junho de 2021